Diego Roriz - diegororiz - Rails, Tecnologia e Desenvolvimento
Ele ganha (dinheiro) com o Facebook
Ele ganha (dinheiro) com o Facebook
Reportagem extraída da revista Exame, edição 965, número 6, 07 de abril de 2010, página 112, por Luiza Dalmazo
Na cola do crescimento do site mais popular do mundo, desenvolvedores de jogos para redes sociais estão faturando alto
Na segunda semana de março, o Facebook foi o site mais visitado, tirando o primeiro lugar do gigante Google, de acordo com a empresa de pesquisas na web Experian Hitwise. Com 400 milhões de usuários ativos e uma receita esperada de 2 bilhões de dólares neste ano, a rede social já não é mais simplesmente um site: o Facebook é uma plataforma de software. Programadores solitários, empresas iniciantes e até mesmo companhias de software estabelecidas estão descobrindo que esse número enorme de pessoas pode ser um ambiente muito interessante para lançar programas e serviços – talvez mais interessante que lançar um novo site.
Nenhum exemplo é melhor que o da americana Zynga, dona de cinco dos dez jogos mais populares do Facebook. Em apenas dez meses, o número de usuários de seus jogos no Facebook passou de 30 milhões para 230 milhões. Já há quem diga que a empresa vale 3 bilhões de dólares (o valor oficial não é conhecido, pois a empresa é privada). A previsão da consultoria NeXt Up Research é que a Zynga atinja receita de 1 bilhão de dólares em 2014.
Mark Pincus, fundador e presidente da empresa, não estimou o alto potencial do mercado dentro das redes sociais por acaso. A percepção de que poderia te sucesso no setor começou a se formar em 2003, quando ele criou a própria rede social, a Tribe.net. A rede não deu certo, mas despertou em Pincus a certeza de que as pessoas precisariam de algo para fazer umas com as outras nas redes sociais. E ele estava certo. Hoje, acredita-se que as pessoas passem metade do tempo de navegação no Facebook, no MySpace ou no Orkut jogando ou usando algum aplicativo criado por terceiros. A explicação para o sucesso dos jogos sociais, como é conhecida essa nova modalidade de games, é a interação com os amigos.
Como toda a rede de contatos está dentro do ambiente do Facebook, os amigos trazem mais amigos para os jogos. “A chance de uma pessoa testar um jogo é maior quando ele é recomendado por alguém conhecido.”, diz Alex Banks, vice-presidente da empresa de pesquisas em internet comScore.
Existem incontáveis sites da web que procuram construir uma grande audiência para só então se preocupar com as receitas. Nas redes sociais, especialmente no Facebook, a situação é diferente. “Os jogos são a melhor maneira de lucar dentro das redes sociais”, diz Richard Krueger, presidente da agência AboutFaceDigital, especializada em marketing no Facebook.
Os mais de 1 milhão de desenvolvedores em torno do mundo criam aplicativos que prevêem a venda de itens que podem ser obtidos com dinheiro. No jogo mais popular das redes sociais – o FarmVille, que simula a rotina de uma fazenda e tem 82 milhões de usuários -, o jogador pode ganhar uma moeda virtual com o desenvolvimento de sua propriedade. Mas quem não tem paciência, ou quer ver sua fazenda crescer rápido, pode simplesmente comprar os itens com dinheiro de verdade. O mercado desses apetrechos virtuais, no Facebook e em outras redes e jogos online, movimentou 600 milhões de dólares no ano passado e pode chegar a 2,5 bilhões de dólares em 2013.
O sucesso de empresas como a Zangya despertou o interesse das companhias tradicionais do mercado de games. A gigante de desenvolvimento de jogos Electronic Arts, dona de títulos como Fifa e Need for Speed, comprou a pequena Playfish por 300 milhões de dólares. Até mesmo a Microsoft estaria interessada na compra da CrowdStar, a quarta maior desenvolvedora de aplicativos no Facebook. As grande estão de olho nessas startups porque perceberam que os jogos sociais já não podem mais ser ignorados.
A Sony vendeu, até dezembro do ano passado, cerca de 33 milhões de unidades de seu novo console, o PlayStation3. Compare: só o jogo Café World tem mais de 30 milhões de usuários ativos no Facebook. Ao todo, o ecossistema de desenvolvedores de games e outros aplicativos no Facebook gerou 1 bilhão de dólares em receita em 2009.
No Brasil, a rede social mais popular ainda é, de longe, o Orkut, do Google, usado por oito entre dez internautas do país. Por aqui, os jogos ainda estão começando. Quem está tirando proveito é a Mentez, fundada por um colombiano, mas que já se intitula uma empresa “brasileira”, porque 80% dos negócios devem ser fechados no país. “Os brasileiros têm um perfil emocional, o que é ótimo para se apegarem aos jogos”, diz Juan Mentez. A empresa criou o Colheita Feliz – ou talvez seja mais adequado dizer que Mentez copiou o FarmVille, da Zynga, dentro do Orkut.
O jogo é hoje o mais popular do Orkut e conta com 19 milhões de jogadores. Com números dessa magnitude e o interesse cada vez maior das gigantes dos games, uma coisa já é certa: os games para redes sociais já deixaram de ser brincadeira.
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Realmente a palavra da moda é “social”, acho que sempre foi, mas a tecnologia de hoje realmente permite isso, de forma fácil. Pessoas gostam disso, coisas fáceis. Imagina ter que reunir com cada pessoa que conhecemos? E falar com pessoas que moram em outros Estados, países.. Acho que uma boa pedida seria usar esse social para suprir outras necessidades, que talvez nem saibamos que existam! Let’s think about it!